sexta-feira, 27 de março de 2015

passarim quis pousar não deu voou





ENTRE vista




Essa pergunta não vou responder
Claro que posso,
Invasiva, acho invasiva,
Bacalhau,
Arroz de bacalhau,
Brandada de bacalhau,
A felicidade não se compra
A hora da estrela
Banho de mar,
Banho de cachoeira
As mulheres que fazem dupla jornada
A necessidade
A utopia de um mundo melhor
A paixão segundo GH
Poetas que pensaram o mundo
Meditação
Astrologia –
O que está em cima está embaixo
Um argumento para teatro
E para cinema
Tudo tem seu preço
Mas tem coisa que não tem preço
Banda de música
A palavra certa
Música, amor e poesia
A presença
O milagre da vida






 foto g secchin




Vela
solta,
ilusão,
crença,
dúvida.
Inseridos
a bordo,
navegam,
vociferam
raivosos,
tristes,
em busca
da dupla
chama.

Nó,
estrada
apaixonada,
coração aberto,
manifesto,
isento
de timidez.
Lastro,
presença,
voz partida,
experimento
tentativa.



Vulcânica é um poema inédito





 foto solange casotti



Ovaria


Quando a meia noite chega
Descubro que fiquei fora muito tempo
Soprando minhas entranhas de ponta a cabeça
Um guarda chuva ao vento
Muito ocupada acreditando
Em sonhos
E na magia a ser encontrada
Em campos de abóboras infestados de ratos
E homens com tempo
E um com uma sapatilha de vidro a mais em suas mãos.

II

Mulheres aprendem
Que às vezes há sangue
Mas não morte
Aprendem a esconder o útero no peito
A escolher aquilo que pode até se perder
A receita da esperança ou o bolo sempre no armário
Aprendem a na hora h agarrar a faca
Com a lâmina rente nas costelas
Esvaziar o copo e ficar contente
Com absolutamente nada.
  
OVARIA
When midnight comes

I find I have been away too long
Blowing my insides upside down

An umbrella in the wind

Too busy believing

In dreams

In the magic to be found

In rat-infested pumpkin patches

And men with time

And one too many glass slippers in their hands
II
Women learn

That sometimes there is blood

But not death

They learn to conceal the womb with breast

To choose that which can be lost

The hopeful recipe or the constant cake in cupboard

They learn to clutch the knife

Blade to borrowed rib

To empty the cup and be content

With utterly nothing

Ovaria é um Poema de TJ DEMA traduzido por Solange Casotti, publicado em  Sampsonia Way Magazine.



ENTREvista e Vulcânica são poemas inéditos

Título: Passarim  de Antonio Carlos Jobim e Paulo Jobim